Cascais abandona expansão de Tires e aposta no polo NOVA Aerospace
A Câmara Municipal de Cascais encerra definitivamente o debate sobre a expansão do Aeródromo de Tires. Nuno Piteira Lopes, presidente da autarquia, confirmou que não haverá aumentos de pista nem alargamento do perímetro da infraestrutura durante o seu mandato. A prioridade estratégica é transformar o espaço num centro de excelência em aeronáutica e tecnologia espacial.
Fim das especulações sobre expansão comercial
As especulações sobre uma possível transferência dos voos executivos do Aeroporto Humberto Delgado para Tires, que obrigaria a obras significativas, ficam definitivamente enterradas. “Durante o meu mandato não haverá qualquer aumento da pista nem expansão do perímetro do aeródromo. Essa não é a nossa prioridade nem faz parte da estratégia para esta infraestrutura”, garantiu Piteira Lopes.
Esta posição alinha-se com a do seu antecessor, Carlos Carreiras, que se opunha sistematicamente a qualquer expansão física da infraestrutura. O novo presidente reafirma este compromisso, focando-se numa estratégia completamente diferente.
NOVA Aerospace: o grande projeto do aeródromo
A transformação de Tires passa pelo ambicioso projeto NOVA Aerospace, desenvolvido em parceria com a Universidade Nova de Lisboa. O objetivo é criar um ecossistema completo dedicado à formação, investigação e inovação nas áreas da aeronáutica e do espaço.
A autarquia cedeu 20 hectares de terreno para acomodar estruturas de ensino e investigação. O projeto inclui:
- Centro de investigação universitária com foco em engenharia eletrónica, mecânica e aeroespacial
- Programas em inteligência artificial e mobilidade avançada
- Espaços dedicados a empresas, startups e investidores nacionais e internacionais
- Infraestruturas para o sector da indústria aeronáutica
Estratégia de qualificação e especialização
A visão para Tires centra-se no reforço das atividades de formação aeronáutica, manutenção e serviços relacionados com aviação executiva. “O que pretendemos é continuar a qualificar o aeródromo e especializar a sua atividade, reforçando o seu papel nas áreas da formação aeronáutica, da manutenção e dos serviços associados à aviação executiva e à inovação tecnológica ligada ao setor”, explicou o presidente.
O projeto já conta com parcerias estratégicas confirmadas, incluindo a Universidade Nova de Lisboa, ANAC, IAPMEI, ITA Brasil, Cranfield, C-Fly, Indra e Optimal. Estas colaborações visam atrair investimento significativo e conhecimento científico para a região.
Concessão descartada
O processo de concessão do aeródromo, que havia chegado a uma fase de consulta a potenciais interessados, também fica definitivamente afastado. Piteira Lopes clarificou que o procedimento “nunca avançou” e que a câmara se concentra agora exclusivamente no modelo de desenvolvimento centrado em ensino, investigação e indústria.
Com esta decisão, Cascais posiciona-se como um centro de referência na formação e inovação aeroespacial, em vez de expandir capacidades de tráfego comercial.